180 e Tantos Dias
Dia 24/07/2007 foi um dia típico de inverno aqui em Caxias.Tava frio. Não aqueles de congelar, mas tinha que usar um casaquinho. O tempo tava fechado. Chegou a chover um pouco de noite.
Eu lembro de tudo o que eu fiz naquele dia. As minhas férias já tinham entrado na reta final. Acordei relativamente cedo. Tomei café, arrumei a casa, lavei a louça. O que sempre eu fazia. Na tv, o Pan do Rio tomava a programação e o povo seguia sendo enganado de que tudo no pais tava certo. Afinal, nós estávamos ganhando em algum esporte medonho da oitava esquadra reserva americana. De tarde, eu sai com a minha irmã. Fomos atrás de algumas coisas que precisávamos comprar. Recusei um convite pra um aniversário de uma colega minha de trabalho na empresa. Fui na feira que tem perto de casa. Comprei laranjas. De noite, fui jogar futebol. Foi ai que a coisa tomou outro rumo.
Pois é.. hoje completa 6 meses que eu rompi o tendão de aquiles e que a minha vida praticamente virou de ponta cabeça. E acho que só 6 meses depois eu consigo parar e refletir realmente sobre tudo o que eu passei.
Romper o tendão de aquiles deu uma bela fodida na minha vida. Tudo o que eu tinha em mente eu não pude fazer. Tinha planos que eu tive que cancelar, propostas que eu tive que negar.
Hoje, a minha faculdade vai levar um ano mais do que eu esperava. Planejava me formar no fim de 2008. Como eu tive que lutar para conseguir fazer só 2 cadeiras no segundo semestre de 2007, essa idéia ficou inviável. Ia me formar junto com a maioria dos meus amigos. Agora, ano que vem, quando eu estiver na sala de aulas eles vão tocar a vida deles.
Me distanciei dos meus amigos. Também por culpa deles. Parei de ter qualquer contato com eles. O único que me visitava era o Teco (graaande Teco). Talvez, o fato de ele namorar a minha irmã tenha contribuído. Quero acreditar que não, mas acho difícil.
O pior de tudo ainda foi a questão psicológica. Eu sou um cara independente. Um tanto quanto agitado. Sempre fui pra cima e pra baixo quando e como eu queria. De uma hora pra outra, fui privado dessa liberdade e fiquei submetido à disponibilidade de outras pessoas. Eu não podia pegar um copo de água. Tinha que pedir para os outros pegarem. A dependência que eu tinha das outras pessoas chegou num nível absurdo, a tal ponto de eu precisar de ajuda pra coisas banais e triviais, como, levantar da cama ou ir no banheiro. Fiquei sujeito a algumas situações no minimo embaraçosas. Não vou falar sobre a questão física da história porque acho que nem precisa.
Eu acredito que nem tudo na vida só tem um lado ruim. Com essa história toda, eu pude ter uma aproximação com a minha família. Comecei a me relacionar muito melhor com a minha irmã e criei uma verdadeira relação de amizade com ela. Curti muito tempo com o meu cachorro. Tive tempo pra pensar muito sobre a minha vida, refletir sobre tudo, tomei várias decisões que eu precisava tomar. Dediquei mais tempo à esse blog!
Quando eu fiquei sabendo que eu ia precisar operar pra reconstruir o tendão eu pesquisei na Internet sobre tudo e tinha uma vaga idéia sobre o que eu ia passar, li muitos relatos de pessoas sobre as suas recuperações. Como eu sei que tem gente que vai chegar nesse post através do google (não te preocupa, eu não sou mágio, o sitemeter entrega vocês), eu vou dar alguns conselhos pra quem vai passar pelo mesmo que eu passei:
- Não se desespere. Não é o fim do mundo.
- Procure apoio nas pessoas que te cercam. Seja sincero com elas, seja mais humilde e não tenha vergonha da tua situação, elas vão compreender.
- Aproveite o tempo que tu vai ter livre da melhor maneira possível. Não fique pensando no quanto está ruim a tua vida, o quanto tu tá sofrendo. Curta a sua família, seus filhos, seus animais, seus amigos, suas coisas.
- Converse com o seu médico. Explique pra ele teus medos, tuas aflições, teus sentimentos. Querendo ou não, tu vai ter que aturar esse cara por um bom tempo (hehehe).
- Use cada situação adversa pela qual tu vai passar como uma lição de vida. Pelo menos, tire graça da situação.
- O mais importante de tudo: viva o hoje. Não pense no amanhã, nem no depois de amanhã, nem daqui há 6 meses. 6 meses demoram pra passar, porém, quando tu ve, passou voando.
Hoje, 6 meses depois, eu consigo caminhar bem. Não cheguei ainda naquele limite em que não consigo seguir por causa da dor. Hoje mesmo, fiz meia hora de caminhada desde a minha casa até chegar ao trabalho. Não tentei correr ainda, mas acredito que seja o próximo passo. Levo uma vida relativamente normal. Claro, depois de 4 horas de pé sinto dor, muita dor, mas também não posso exagerar. Onde o médico fez a junção do tendão ainda está inchado. Isso é ruim, porque eu não consigo usar determinados tipos de sapatos, porém, pra inveja dos meus colegas, trabalho de chinelo. Ainda não consigo jogar futebol, mas não esquento a cabeça por causa disso.
No mais, to quase pronto pra outra. Tudo passa. E, como diria um amigo meu, segue o baile.

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